Blog da Rede de Inovação no Setor Público

3 de nov. de 2016

Utilizando satélites para gerenciar o caos urbano


O crescimento desordenado parece ser uma tendência nos centros urbanos do planeta. Nem as cidades ditas planejadas escaparam dessa situação. Brasília, por exemplo, projetada para ter 500 mil habitantes, tem hoje mais de 2 milhões e abriga a maior favela da América Latina. Como é possível a um governo ter gerência sobre o processo de ocupação do espaço urbano? O conhecimento desses movimentos populacionais é importante para fazer projetos de segurança pública, pensar onde é possível implementar um posto de saúde ou construir uma escola. Além disso, ocupações irregulares próximas a rios ou em cima de morros e barrancos são um prato cheio para desastres naturais como enchentes e desmoronamentos. O Estado precisa identificar e monitorar essas construções para uma ação preventiva ou para um socorro rápido e eficaz em caso de acidentes.
Foi pensando em minimizar os danos causados pelos desastres naturais que o Joint Research Centre (JRC) da Comissão Europeia criou um grupo de pesquisa para prevenção desses acidentes. Inserida nesse grupo existe uma equipe responsável pela identificação de áreas construídas e que desenvolve uma metodologia computacional de mapeamento utilizando imagens de satélite. Mas entenda que  esse sistema não é igual ao Google Earth. O mapeamento desenvolvido pelo JRC identifica nas imagens de satélite os padrões relacionados aos alvos correspondentes às áreas construídas, através de técnicas de sensoriamento remoto, processamento digital de imagens e reconhecimento de padrões. 
Na busca para montar um mapa global de áreas construídas, o JRC buscou parceria junto ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), aqui no Brasil, que é um dos pioneiros na disponibilização gratuita de imagens de satélite. A partir de então, a parceria se estendeu a uma cooperação por meio do Projeto Apoio aos Diálogos Setoriais União Europeia-Brasil. A utilização das imagens do satétlite sino-brasileiroCBERS-2B pelo JRC, abriu caminho para o INPE realizar testes utilizando o método europeu, bem como contribuiu para o mapeamento brasileiro, ação que também contribui para o centro de pesquisa europeu na composição do seu mapa.
Na 7ª convocatória dos Diálogos Setoriais, as missões aconteceram com o intuito de aproximar e intensificar a troca de informações entre Brasil e União Europeia, para a execução de um estudo de caso que contribuiu para o INPE entender melhor o funcionamento da metodologia europeia. Imagens do Vale do Paraíba, no interior de São Paulo, foram utilizadas nessa primeira etapa, que abriu caminho para um piloto executado entre 2015 e 2016 na 8ª convocatória dos Diálogos Setoriais. Nessa segunda proposta de ação, 20 mil imagens de satélite de todo território nacional, captadas no ano de 2012, foram processadas pelo INPE utilizando a tecnologia europeia. Novas missões à Europa foram realizadas para apresentar os resultados e buscar uma validação do JRC sobre a utilização do método e para a calibragem do sistema.
A partir de agora, INPE e JRC estão realizando a validação das imagens de 2012 para posteriormente realizar uma nova rodada de processamento de imagens mais recentes do território nacional obtendo um mapa mais preciso e atualizado das áreas construídas, já que “os resultados da última missão foram bastante promissores, gerando uma perspectiva de continuar a colaboração”, afirma Thales Sehn Körting, especialista em processamento de imagens e responsável operacional da ação no INPE.
A cooperação entre União Europeia e Brasil apoiada desde 2014 pelos Diálogos Setoriais entregará à ambos uma ferramenta imprescindível tanto para a prevenção de desastres naturais, como para a elaboração mais precisa e eficiente das mais diversas políticas públicas.

31 de out. de 2016

Conhecimento e Inovação na Regulação Sanitária


De 24 a 27 de outubro a Anvisa realizou a sua VI Semana do Conhecimento, com o tema "Conhecimento e Inovação na Regulação Sanitária". 

O evento foi encerrado na útlima quinta-feira com uma avaliação dos participantes e a resposta do público foi unânime: o evento foi um sucesso. Aberta ao público em geral pela primeira vez, a Semana do Conhecimento ofereceu aos seus participantes – 1.253 inscritos e 2.065 visualizações pela internet – mesas, painéis e oficinas dos mais variados temas, sem, no entanto, abandonar o foco: como agregar e disseminar conhecimento e, assim, contribuir para com o aprimoramento das práticas regulatórias no Brasil.

Uma das grandes novidades desta edição foi a realização da Arena de Inovação, que fez parte da programação durante os 4 dias de evento e contou com a parceria do Laboratório de Inovação em Governo, o GNOVA, sediado pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap).

Foram momentos de muito trabalho e diversão utilizando os métodos do Design Thinking e suas ferramentas e abordagens de empatia, colaboração, prototipação e pensamento visual.
Essa atividade foi mais uma iniciativa da Fábrica de Ideias da Anvisa, projeto piloto que objetiva contribuir com a implantação de um modelo colaborativo de gestão da inovação como método de trabalho na Agência.

O encerramento do evento foi marcado pela cerimônia de entrega do 3º Prêmio Univisa de Gestão Regulatória, promovido pela Associação de Servidores da Agência. A cerimônia marcou o último dia da Semana do Conhecimento, momento em que foram premiadas ideias e projetos desenvolvidos pelos servidores para melhorar a gestão regulatória e institucional da Agência.

O projeto "Fábrica de Ideias" também recebeu destaque na cerimônia de premiação, pois também teve origem em uma ideia apresentada por servidores em uma das turmas do Programa de Formação Aplicada da Agência, antes de ser incubado pela Gerência-Geral de Conhecimento, Inovação e Pesquisa da Diretoria de Gestão Institucional da Anvisa.


Para saber mais acesse o link: VI Semana do Conhecimento da Anvisa.


Fonte: Anvisa.





Imagem: Equipe Gnova

27 de out. de 2016

HABITAT III


O Projeto de Apoio aos Diálogos Setoriais esteve na Habitat3, em Quito, e apresentou o estudo sobre soluções baseadas na natureza para cidades sustentáveis.

A #NewUrbanAgenda, adotada na conferência da ONU, Habitat3, realizada esta semana em Quito, estabeleceu um estândar comum internacional para tornar as cidades em todo o mundo mais inclusivas, verdes, seguras e prósperas.👏👏👏
A #UE, representada pela Comissária Corina Cretu, desempenhou um papel importante nesse processo. Saiba mais: http://europa.eu/rapid/press-release_IP-16-3477_pt.htm

25 de out. de 2016

Serviço público inovador?


Novo”, “tecnologia”, “invenção”, “novidade”, “fazer diferente”, “boas ideias”. São várias as palavras e expressões que surgem na mente quando pensamos em Inovação. Certamente, um termo complexo, amplo e, por vezes, até abstrato, tão difícil de definir como de concretizar.
“Burocracia”, “lentidão”, “tecnologia obsoleta”, “pouco recurso financeiro”, “serviços de pouca qualidade”. São esses os termos que vêm à cabeça quando se pensa em administração pública. Será que esses dois mundos conseguem se encontrar?
O Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão (MP) ousou unir esses dois lugares opostos – ou seriam complementares? – nas propostas de ação apresentadas ao Projeto Apoio aos Diálogos Setoriais União Europeia-Brasil na 8ª Convocatória e na Extraconvocatória de 2016.
Mas como conseguir organizar tantos conceitos? Começou com a disponibilização de um espaço aberto para debates e novas ideias: “A Semana de Inovação em Gestão Pública – Transformando Ideias em Soluções”. Foi um evento que aconteceu em 2015 e contou com a participação de servidores de 16 estados brasileiros e 50 convidados nacionais e internacionais como palestrantes, debatedores e moderadores. Um resultado concreto de todo o esforço que culminou nesse evento foi a assinatura de uma carta de intenções entre Brasil e Dinamarca que, mais tarde, foi oficializada com a assinatura de um memorando de entendimento entre os dois países. Foi o estabelecimento de uma cooperação com o objetivo maior de fomentar a Cultura da Inovação em Gestão aqui no Brasil.
Logo após o evento, a Escola Nacional de Administração Pública (ENAP) se juntou a essa empreitada, que teve como primeiro passo a implementação e inauguração, em 17 de agosto de 2016, do G-NOVA, Laboratório de Inovação em Gestão voltado para atendimento a projetos do governo federal. O laboratório foi concebido a partir da metodologia do MindLab dinamarquês, como um espaço de convergência de ideias inovadoras. Ele foi criado para “demonstrar aos servidores públicos federais que, aplicando métodos de colaboração, de criação conjunta com os usuários do serviço, vai se ter como resultado um serviço mais aderente à necessidade que ele se propõe a atender”, nas palavras de Luis Felipe Salin Monteiro, diretor do Departamento de Modernização da Gestão (INOVA), unidade do Ministério do Planejamento responsável pela proposta de ação no âmbito dos Diálogos Setoriais. O próprio nome já se explica, o LABORATÓRIO é um espaço para experiências. Esse lugar, livre de barreiras para expressão de ideias, será um espaço para apresentá-las, discuti-las, desenhá-las e experimentá-las antes de serem aplicadas a nós, cidadãos. Um local onde há espaço para tentativa e erro e onde a criatividade é estimulada: algo como um remédio que é desenvolvido e testado em laboratório antes de ser colocado no mercado. Assim, busca-se reduzir os riscos e custos de implementação de uma política pública, bem como aumentar os seus níveis de sucesso.
Perceba a adesão de novos termos ao vocabulário de inovação: cooperação e ideias convergentes. Agora adicione a isso órgãos públicos dos três poderes e você tem outro resultado advindo daquela Semana de Inovação: A Rede de Inovação no Setor Público ou, de forma mais carinhosa, a InovaGov. E como o próprio nome já diz, é uma rede na qual todos os pontos estão interligados, sem qualquer hierarquia, permitindo uma troca sinérgica, que se retroalimenta entre o Laboratório e os membros da Rede. Nesse sentido, Guilherme Almeida, Diretor de Inovação da ENAP, afirma que “o laboratório é não só um membro, mas um nó muito ativo nessa rede”, uma vez que vai servir como um dos espaços para discussão e experimentos desse grupo.
A proposta de ação para contribuir com a estruturação da InovaGov foi apresentada aos Diálogos Setoriais na Extraconvocatória e sua formatação foi facilitada pela contratação de peritos que trouxeram novas dinâmicas de trabalho que ajudaram a constituí-la. Hoje a rede conta com o engajamento ativo de 38 instituições públicas federais, dos três Poderes (Judiciário, Legislativo e Executivo), cuja participação vem se formalizando pela assinatura de termos de adesão a um Acordo de Cooperação Técnica assinado por um representante de cada Poder. Trata-se de mais uma ação de estímulo à cooperação que “ajuda os órgãos a superarem barreiras juntos e pensarem soluções conjuntas para as dificuldades que eles encontrem”, ou seja, é mais uma ferramenta “para articular e integrar arranjos para inovação no setor público” como explica Luanna Sant’Anna Roncaratti, Gerente de Inovação do Ministério do Planejamento.
São os Diálogos Setoriais contribuindo para que o serviço público se torne cada vez melhor e mais eficiente!

24 de out. de 2016

E aquela pesquisa do início do mês?


Nós perguntamos como vem sendo a experiência dos membros da InovaGov com a Rede. Trinta de vocês responderam, representando 18 instituições diferentes (47% do total que compõe a InovaGov) e chegou a hora de divulgarmos os resultados (batam os tambores!):

Perguntamos sobre aquelas expectativas (positivas e negativas) que mapeamos lá em nosso primeiro encontro e sobre como elas vêm se concretizando. Sentimos dizer, mas... não falaremos delas aqui, hoje. Nossa ideia é guardarmos essas informações mais um pouquinho para torná-las públicas em nosso encontro de fim de ano (já está chegando, né?!).

Sobre os desafios mobilizadores, perguntamos quantos os conhecem e o que poderia estar atrapalhando o engajamento. Vocês responderam:



Alguns de vocês consideram que não devemos tratar novos desafios no próximo ano, mas apareceram algumas novas propostas interessantes: desburocratização, envolvimento da sociedade civil, benchmarking, práticas de inovação com recortes regionais, incentivo à mobilização de pessoas na própria Rede e ampliação da capacidade do Lab ou de outro espaço de cocriação.

Para melhorarmos esse quadro, vamos procurar fazer posts sobre os desafios mobilizadores que estão sendo trabalhados na InovaGov. Quem sabe, assim, damos mais motivos para o engajamento de outros membros - acho até que vocês vão enxergar algumas dessas sugestões nos projetos que estão sendo tocados.

Quanto aos nossos encontros:



Quanto a novos colaboradores potenciais para a InovaGov, a lista foi extensa: algumas das sugestões já estão conosco, como o Ipea e as Agências Reguladoras; outras, ainda precisamos engajar, como estados e municípios, instituições privadas e universidades. 

Está na hora de elaborarmos nosso estatuto de funcionamento para termos definidos como faremos esse engajamento!

Supercalifragilisticexpialidocious


Serendipidade. Ou Serendipismo, Serendiptismo ou ainda Serendipitia.
Talvez essa palavra faça parte do seu dicionário. Para mim, foi como ouvir de novo aquela música que Mary Poppins canta a seus pupilos. Algo como uma nova versão de "Supercalifragilisticexpialidocious".
A palavra serendipidade foi criada pelo escritor Horace Walpole em 1754 (e eu, achando que estava aprendendo uma palavra nova...), em uma de suas cartas endereçada a um amigo, referenciando a capacidade dos protagonistas de "Os Três Príncipes de Serendi" realizarem descobertas acidentalmente.
Assim, sem desmerecer a imensa criatividade de Pamela Lyndon Travers e Walt Disney, a pomposa palavra é a criatividade em si! É aquele momento em que, sem estar buscando nenhum tipo de solução para um problema, ela simplesmente aparece, como que por uma peça do destino... É uma coincidência feliz!

Agora, quando fizer uma grande descoberta enquanto canta no chuveiro, ao invés de reproduzir o "Eureka" de Arquimedes, que tal dizer "tive um serendipismo"? ;)

22 de out. de 2016

#cocrieOEstado e participe da Semana Nacional do Serviço Público


Com apoio de diversos parceiros inovadores, começou 1a edição da Semana Nacional do Serviço Público.

Agora, temos mais um espaço para promover a cultura da inovação no serviço público.

Semana do Servidor-01.png


A inspiração foi a Semana Global do Empreendedorismo e a Resolução 57/277 da ONU, que recomendou aos países membros:

- reconhecer o trabalho dos servidores públicos;
- celebrar o valor e a virtude de servir ao público;
- ressaltar a importância do servidor público para o desenvolvimento;
- encorajar jovens a seguir a carreira pública.

Países como Canadá, Austrália e Estados Unidos já instituíram suas próprias semanas do serviço público.

O Brasil agora também tem uma. \o/


Para saber mais sobre a semana, acesse o link http://semanadoservicopublico.org

O envolvimento de todos os inovadores é essencial para o sucesso do serviço público.

Bora inovar...


21 de out. de 2016

Como mudar essa tal de cultura organizacional?


Os dias passam e continuamos utilizando a cultura organizacional como pretexto para não inovar. Não me entendam mal: uma cultura pró-inovação é sim determinante para o que queremos alcançar (aparentemente, existe até um cargo para zelar por ela em grandes empresas como Google, WikiMidea e Zappos), mas parece que, no serviço público, ela é mais uma desculpa para manter o status quo do que uma barreira a ser vencida. E imagino que isso ocorra por um simples motivo: a cultura organizacional soa como algo intangível, "é elusiva, como a energia que circula em um ambiente" e como poderia ser, então, alterada?

Daí me deparei com esse maravilhoso artigo chamado "Mudando a cultura: altere pequenos hábitos para obter grandes ganhos", uma espécie de passo a passo baseado no psicologia comportamental ( e com muito mais exemplos do que me propus a colocar aqui!).

Em resumo: 6 passos!

1) identifique como os hábitos funcionam, a fim de entender: 1. como surge o comportamento na sua organização; 2. o que o mantém; e 3. como você pode mudar os elementos no ambiente para alterá-lo.
Para isso, é importante entender que hábitos são formados por um gatilho, uma rotina consequente e um (ou mais) reforço que a mantém. Esse ciclo se repete constantemente para você, sua equipe e sua organização.

2) Identifique alguns hábitos-chave e bem difundidos que precisem ser mudados, obtendo, assim,
soluções focadas, cujo impacto permita às pessoas se sentirem paulatinamente confortáveis com a mudança na cultura.

3) Desmembre esse hábito em gatilho (o que leva à reação?), rotina (quais comportamentos fazem parte da reação?) e reforço (que benefícios as pessoas obtêm desses comportamentos?).

4) Identifique a causa raiz da rotina atual: considere, aqui, fatores ambientais e pessoais (não é possível obter resultados atacando um sem atacar o outro).

5) Desenvolva as condições para que as pessoas utilizem uma rotina alternativa.

6) Ouça os feedbacks! Como tudo na vida, aqui também é possível errar. E você só vai saber disso se ouvir as pessoas.
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